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domingo, 26 de agosto de 2012

Conto:O Fantasma de Canterville-Oscar Wilde

Encontrei  esse livro on-line em um site, é da Virtual Books. Ele está em PDF.
Para vê-lo terá que ter algum programa que leia em PDF.Eu tenho o Fox Reader é gratuito. Se quiser baixe-o AQUI

Depois de baixa-lo e instala-lo clique no link abaixo e aproveite!

O Fantasma de Canterville-Oscar Wilde





sábado, 18 de agosto de 2012

Lula ao Vinagrete-Receita

Adoro lula, sei que poucos gostam por causa da aparência,mas acho que deviam experimentar, pois é uma delícia!
A lula é bem simples de preparar , mas tem um segredinho, se deixar ela muito tempo fervendo ela fica horrível,parecendo borracha.
Bem vamos a receita,
Coloque em uma panela água e uma pitada de sal.
Espere a água ferver, muita atenção para esse detalhe, água tem que estar fervendo e só quando estiver fervendo coloque a lula(corte-a em anéis).
Deixe ela fervendo apenas 2 minutos.
Desligue o fogo e tampe a panela , deixe ela lá mais dois minutos.
Depois escorra e tempere a gosto.
Eu temperei com salsa,coentro,cebola,1 alho picado e amassado,vinagre,azeite,sal,e como adoro pimenta coloquei um pouquinho(molho de pimenta) .

Guarde na geladeira,na minha opinião a lula fica melhor no dia seguinte, pois o vinagrete já está mais apurado. E bom apetite!


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Fontes: http://www.rainhasdolar.com/index.php?itemid=1281

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Gifs de Fantasmas e Fantasminhas




























domingo, 12 de agosto de 2012

João Sem Medo-Conto dos Irmãos Grimm




João Sem Medo
Por: Irmãos Grimm
 
Era uma vez um pai que tinha dois filhos, o maior era calmo e prudente, e podia
fazer qualquer coisa. Mas o jovem era estúpido e não conseguia aprender nem
entender nada, e quando o povo o via passar diziam:
- Este rapaz dará problemas a seu pai.  Quando se tinha que fazer algo, era sempre o maior que tinha que fazer, mas se o
pai o mandava trazer algo quando era tarde ou no meio da noite, e o caminho o
conduzia através do cemitério ou algum outro lugar sombrio, reclamava:
- Ah, não, pai! não irei, me dá pavor - pois tinha medo.
Quando se contavam historias ao redor do fogo que colocava a carne de galinha pra
assar, os ouvintes algumas vezes diziam:
- Me dá medo!
O rapaz mais novo se sentava numa canto e escutava os demais, mas não podia imaginar o
que era ter medo:
- Sempre dizem: "Me dá medo", "Me causa pavor". - pensava - Essa deve ser uma
habilidade que não compreendo.
Ocorreu que o pai lhe disse um dia:
- Escuta com atenção, estás ficando grande e forte, e deves aprender algo que te
permita ganhar o pão.
- Bem, pai - respondeu o jovem - a verdade é que há algo que quero aprender, se
se pode ensinar. Gostaria de aprender a ter medo, não entendo de todo o que é
isso.
O irmão maior sorriu ao escutar aquilo e pensou: "Deus santo, que cabeça de
minhoca é esse meu irmão. Nunca servirá para nada.
O pai suspirou e respondeu: - logo aprenderás a ter medo, mas não se vive disso.
Pouco depois o sacristão foi à casa de João, em visita, e o pai lhe contou que seu
filho menor estava tão atrasado em qualquer coisa que não sabia nem aprendia
nada.
- Veja - disse o pai - quando perguntei como ia ganhar a vida, ele me disse que
queria aprender a ter medo.
- Se isso é tudo. - respondeu o sacristão - pode aprender comigo. Mande-o a mim.
O pai estava contente de enviar seu filho com o sacristão porque pensava que
aquilo serviria para endireitar João. Então o sacristão tomou ao rapaz sob sua
guarda em sua casa ,e o rapaz  tinha que tocar o sino da igreja. Um dia o sacristão acordou
à meia-noite, e o fez levantar para ir À torre da igreja tocar o sino.
"Logo aprenderás o que é ter medo" pensava o sacristão. E, sem que João se desse
conta, levantou-se e subiu na torre. Quando o rapaz estava no alto da torre, e foi
dar a volta para pegar a corda do sino e viu uma figura branca de pé, nas escadas
do outro lado do poço da torre.
- Quem está aí?- gritou o rapaz, mas a figura não respondeu nem se moveu.
- Responde, - gritou o rapaz - ou saia. Não perdeste nada aqui.
O sacristão, sem dúvida, continuou de pé, imóvel, para que João pensasse que ele fosse  um
fantasma. O rapaz gritou a segunda vez:  - Que fazes aqui?. Diz o que queres ou te atirarei pelas escadas.
O sacristão pensou que era onda de João e continuou paradão, quieto, como uma
estátua. Então o rapaz avisou a terceira vez e como não serviu de nada, se jogou
contra ele e empurrou o fantasma escada abaixo. O"fantasma" rodou dez degraus e
caiu num canto. Então João fez soar o sino e se foi para casa e, sem dizer nada,
voltou a dormir. A esposa do sacristão ficou esperando seu marido um bom tempo,
mas ele não voltou. Ela ficou inquieta e acordou João. Perguntou: -Sabes onde está
meu marido? Subiu na torre antes de ti.
• Não sei - respondeu o rapaz - Mas alguém estava de pé no outro lado do
poço da torre, e como não me respondia nem se ia, achei que era um ladrão
e o joguei das escadas.
A mulher saiu correndo e encontrou seu marido queixando-se no canto, um uma
perna machucada. Depois de ajudá-lo, ela, chorando, foi ver o pai do rapaz.
- Teu filho- gritava ela - causou um desastre- Jogou meu marido pelas escadas e
quebrou-lhe a perna. Leva esse inútil de nossa casa.
O pai estava aterrado e correu ao rapaz pra saber o que houve: - Que conversa foi
essa?
- Pai, - respondeu - escuta, sou inocente. Ele estava ali, de pé, no meio da noite,
como se fosse fazer algo mau. Não sabia quem era e pedi que falasse por três
vezes.
-Ah!- disse o pai - só me trazes desgosto. Sai da minha frente, não quero te
ver mais.
- Sim, pai, como queira, mas espera que seja dia. Então partirei para aprender o
que é ter medo, e então aprenderei um ofício que me permita me sustentar.
- Aprende o que quiseres- disse o pai , tanto faz. Aqui tens 50 moedas para ti.
Pega e vai pelo mundo, mas não digas de onde vens e nem quem é teu pai. Tenho
razões para me envergonhar de ti.
  _Sim, pai, farei isso. Se não for mais nada que isso, posso lembrar fácil.
Assim que amanheceu, o rapaz colocou as 50 moedas no bolso e se foi pela estrada
principal, dizendo continuamente:
 - se pudesse ter medo, se soubesse o que é
temer...
Um homem se aproximou e ouviu o monólogo de João e, quando haviam
caminhado um pouco mais longe, onde se viam os patíbulos, o homem disse: -
Olha, ali está a árvore onde sete homens se casaram com a filha do açougueiro, e
agora estão aprendendo a voar. Sente-se perto da árvore e espera o anoitecer,
então aprenderás a ter medo.
- Se isso é o que tenho a fazer, é fácil. - disse o jovem -Mas se aprendo a ter medo
tão rápido , te darei minhas 50 moedas. Volta amanhã de manhã bem cedo.
Então o homem se foi e ele sentou ao lado da forca, e esperou até a noite. Como
tinha frio, acendeu um fogo. À meia-noite, o vento soprava tão forte que, apesar do
fogo, não conseguia se esquentar e como o vento fazia chocarem-se os enforcados
entre si, e se balançavam, ele pensou: "Eu aqui, junto ao fogo, já sinto frio,
imagino quanto devem estar sofrendo esses que estão aí em cima."  Como davam pena, levantou a escada, subiu e um a um os foi desatando e
baixando. Então avivou o fogo e os dispôs ao redor para que se esquentassem. Mas
ficaram sentados sem se mover e o fogo prendeu em suas roupas. Então o rapaz
disse:
- Tenham cuidado ou os subirei outra vez.
Os enforcados, é lógico, não escutaram e permaneceram em silêncio, deixando
seus farrapos queimarem.
O jovem se zangou e disse:
 - se não querem ter cuidado, não posso ajudá-los e
não me queimarei com vocês. E colocou-os de volta no lugar. Depois se sentou
junto ao fogo e ficou dormindo. Na manhã seguinte o homem veio para pegar suas
50 moedas, lhe disse: - Bem, agora sabes o que é ter medo.
- Não - disse o rapaz - como querias se os tipos lá de cima não abriram a boca?, e
são tão idiotas que deixam que os poucos e velhos farrapos que vestiam se
queimem.
O homem, vendo que esse dia não ia conseguir as 50 moedas, se ajoelhou
dizendo:- Nunca encontrei alguém assim.
O jovem continuou seu rumo e outra vez começou a falar sozinho - se pudesse ter
medo...
Um carreteiro que andava por ali escutou e perguntou: -Quem és?
- Não sei - respondeu o jovem.
Então o carreteiro perguntou: - De onde és?
- Não sei- respondeu o rapaz.
- Quem é tu pai?- insistiu.
- Não posso dizer - respondeu o rapaz.
- Que é isso que estás sempre murmurando? - perguntou o carreteiro.
- Ah, - respondeu o jovem - gostaria de aprender ter medo, mas ninguém me ensina.
- Deixa de dizer bobagens - disse o carreteiro-Vamos, vem comigo, e encontrarei
um lugar para ti.
O jovem foi com o carreteiro e, ao anoitecer, chegaram a uma pousada onde iriam
passar a noite. Na entrada do salão o jovem disse, bem alto: - Se pudesse ter
medo...
O pousadeiro escutou e rindo disse: - Se isso é o que queres, saiba que aqui
encontras uma boa oportunidade.
- Quieto! - disse a dona da pousada - muitos intrometidos já perderam sua vida,
seria uma lástima se olhos tão bonitos não voltassem a ver a luz do dia.
Mas o rapaz disse: - não importa o tão difícil que seja, aprenderei, é por isso que
tenho viajado tão longe. E não deixou em paz o dono da pensão até que ele contou que não longe dali havia um castelo
encantando onde qualquer um poderia aprender com facilidade o que é ter medo se pudesse permanecer ali durante três
noites. O rei havia prometido que qualquer um que conseguisse teria a mão de sua
filha, que era a mulher mais bela sobre a qual havia brilhado o Sol. Por outro lado,
no castelo há um grande tesouro, guardado por malvados espíritos. Esse tesouro
seria libertado e fazia rico ao libertador. Ainda que alguns tivessem tentado,
nenhum havia saído.
Na manhã seguinte o jovem foi a ver o rei e disse: - Se me permitir, desejaria
passar 3 noites no castelo encantado.
O rei observou-o e como o jovem o agradava, disse: - Podes pedir três coisas para
levar contigo ao castelo, mas devem ser três objetos inanimados.
Então o rapaz disse: - Pois quero um fogo, uma faca e uma tábua para cortar. - o
rei fez que levassem essas coisas ao castelo durante o dia. Quando se aproximava
a noite, o jovem foi ao castelo e acendeu um fogo brilhante numa das salas, pôs a
tábua e o cutelo ao seu lado e se sentou junto ao torno - se pudesse ter medo -
dizia - mas vejo que não aprenderei aqui.
Era meia-noite e estava atiçando o fogo, e enquanto soprava, algo gritou de
repente de um canto: - Miau, miau. Temos frio. -
- Tontos, - respondeu - por que se queixam, se têm frio venham sentar-se junto ao
fogo.
Quando disse isto 2 enormes gatos negros saíram dando um tremendo salto e se
sentaram um de cada lado de João. Os gatos o olhavam com selvageria. Aos
poucos, quando se aqueceram, disseram - Camarada, joguemos cartas.
- Por que não? - disse o rapaz - Mas primeiro ensinem-me.
Os gatos mostraram suas garras. - Oh!, - disse ele - tens unhas muitos
compridas. Esperem que as corto num segundo.
Então os pegou pelo pescoço, os colocou na tábua de cortar e lhes atou as patas
rapidamente.
- Depois de ver os dedos, - disse - me passou a vontade de jogar cartas.
Logo os matou e os atirou na água. Mas quando se havia desfeito deles e ia sentar-se junto ao fogo, de cada canto saíram cães e gatos negros, com correntes, e
continuaram saindo até que não havia mais para onde se mover. Gritavam
horrivelmente, esparramaram o fogo e apagaram-no. João observou
tranqüilamente durante uns instantes, mas quando estavam passando da conta,
pegou a faca e gritou:
- Fora daqui! - e começou a esfaqueá-los. Alguns fugiram, enquanto que os
que matou, jogou ao fogo. Quando terminou não podia manter os olhos abertos por
causa do sono. Olhou em volta e viu uma cama enorme.
- Justo o que precisava- disse e se meteu nela. Quando estava para fechar os olhos
a cama começou a se mover por si mesma e o levou por todo castelo.  - Isto está bom - disse - mas vá mais rápido.
 - Então a cama rodou como se seis  cavalos a puxassem, acima e abaixo, pelos umbrais e escadarias. Mas de repente
girou sobre si mesma e caiu sobre ele como uma montanha. João saiu debaixo da
cama dizendo:
- Hoje em dia deixam qualquer um dirigir... E se foi para junto do
fogo, onde dormiu até a manhã seguinte.
Na manhã seguinte o rei foi vê-lo, e ao encontrá-lo atirado ao chão, pensou que os
espíritos o haviam matado. Disse:
 -Depois de tudo é uma pena, um homem tão
corajoso...
O jovem o escutou, se levantou, e disse:
- não é para tanto.
O rei estava perplexo, mas muito feliz, e perguntou como tinha sido.
 - A verdade é
que bastante bem - disse -Já tinha passado uma noite, as outras serão do mesmo
jeito.
Foi ver o dono da pousada que o olhou com olhos do tamanho de pratos,e disse:
 - Nunca pensei que voltaria a ver você com vida! Afinal, aprendeste a ter medo?
- Não - respondeu - é inútil. se alguém me pudesse explicar...
A segunda noite voltou ao velho castelo, se sentou junto ao fogo e uma vez mais
começou a cantilena: - se pudesse ter medo... se pudesse ter medo...
À meia-noite se escutou ao redor um grande barulho que parecia que o castelo
vinha abaixo. No início se escutava baixinho, mas foi crescendo mais e mais. De
repente, tudo ficou em silêncio e, de repente, com um grito, a metade de um
homem caiu diante de João.
- Ei, - gritou o jovem - falta-te a metade! -Então o barulho começou de novo, se
escutaram rugidos e gemidos e a outra metade caiu também.
- Tranqüilo, - disse o jovem - vou avivar o fogo.
Quando havia terminado e olhou ao redor, as duas metades haviam se unido e um
homem espantoso estava sentado no lugar de João. - Isso não entrava não trato, -
disse ele - esse banco é meu.
O homem tentou empurrá-lo, mas o jovem não o permitiu, então o empurrou com
todas as forças e se sentou em seu lugar.
Mais homens caíram do mezanino, um atrás do outro. Recolheram nove pernas
humanas e duas caveiras e começaram a jogar com elas. João também quis jogar:
- Escuta, posso jogar?-
- Se tens dinheiro, sim. - responderam eles.
- Tenho - respondeu - Mas essas bolas não são redondas o bastante.
Pegou as caveiras, colocou-as no torno e as arredondou.
- Agora está muito melhor.
- Hurra, - disseram os homens - agora nos divertiremos.  Jogou com eles e perdeu algum dinheiro, mas guando deram as doze, todos
desapareceram. Ele então se encostou e dormiu. Na manhã seguinte o rei foi ver
como estava:
- E aí, como foi desta vez? -perguntou.
- Fiquei jogando bola, - respondeu - e perdi um par de moedas.
- Então não tiveste medo? - perguntou o rei.
- Quê?- disse - passei muitíssimo bem. O que realmente não aconteceu foi ter
medo.
Na terceira noite sentou-se em seu banco e entristecido, disse: - se pudesse ter
medo...
Quando ficou tarde, seis homens muito altos entraram trazendo consigo um caixão.
E disseram ao jovem:
• Hahahaha. é meu primo, que morreu há dois dias
Puseram o caixão no chão, abriram a tampa e se viu um cadáver caído em seu
interior. O jovem tocou-o no rosto que estava frio como o gelo.
 - Espera, - disse - te aquecerei um pouco-  foi ao fogo, esquentou as mãos e as colocou na cara do
defunto, mas esta continuou fria. Tirou-o do ataúde, sentou-o junto ao fogo e o
apoiou em seu peito mexendo seus braços para que o sangue circulasse de novo.
Como isso também não funcionava, pensou: "Quando duas pessoas se metem na
cama, se dão calor mutuamente." Assim, levou-o para a cama e deitou junto dele.
Logo o cadáver começou a se aquecer e a mover-se.
O jovem disse:- Vês primo como te esquentei?
O cadáver se levantou e disse: - Te estrangularei.
-Como?, - disse o jovem - Assim que me agradece? Pois vai voltar para o caixão agora
mesmo.
E o pegou pelo pescoço, jogou-o no caixão e fechou a tampa. Então os 6 homens
vieram e levaram o caixão.
- Não consigo aprender a ter medo - disse -Nunca em minha vida aprenderei.
Um homem mais alto que os demais entrou e tinha um aspecto terrível. Era velho e
tinha uma larga barba branca.
- Pobre diabo,- gritou o velho - logo saberás o que é ter medo, porque vais
morrer.
- Não tão depressa - respondeu rapaz - que eu terei algo a dizer sobre isso.
- Pronto acabarei contigo.- disse o demônio.
- Para com essas bobagens que sou tão forte como você .ou até mais.
 - Vamos testar - disse o velho - Se você é forte, o deixo ir. Vem e
comprovaremos.
Levou-o através de paisagens escuras, até uma forja; ali o velho pegou uma
enorme acha e de um talho partiu em dois.
- Posso melhorar - disse o rapaz e pegou também uma acha e partiu-a de um talho
e, aproveitou o quando partia a acha, talhou também a barba do velho.
- Te venci - disse o jovem - agora você vai morrer - e com uma barra de ferro golpeou
o velho até que este começou a chorar e a pedir que parasse, que se parasse lhe
daria grandes riquezas.
O jovem soltou a barra de ferro e o deixou livre. O velho o levou de novo ao castelo
e num sótão mostrou-lhe três cofres cheios de ouro.
- De tudo isto, - disse o velho - um é para os pobres, outro para o rei e o terceiro
para ti.-
Então deram as doze badaladas e o espírito desapareceu e o jovem ficou no escuro.
Acho que posso encontrar a saída - disse o jovem. e tateando conseguiu encontrar
o caminho até a saída onde estava o fogo e dormiu junto dele.
Na manhã seguinte o rei foi vê-lo e disse: - Já deve ter aprendido o que é ter
medo.
-Não - disse - vi um morto e um homem com barba me deu um montão
de dinheiro, mas nada me fez saber o que é ter medo.
- Então, - disse o rei - Você salvou o castelo e poderá se com minha filha.
- Tudo isso é ótimo, - disse o jovem - mas sigo sem saber o que é ter medo.
Repartiu-se o ouro e celebrou a boda. Mas por muito que quisesse a sua esposa e
por muito feliz que fosse o jovem rei sempre dizia: - Se pudesse ter medo... se
pudesse...
Isso acabou por aborrecer sua esposa: - Encontrarei a cura, aprenderá a ter medo.
Foi ao rio que atravessava o jardim e trouxe um cubo cheio de lambaris. À noite,
quando João estava dormindo, sua esposa levantou as cobertas e jogou sobre ele a
água fria com os lambaris, de maneira que os peixinhos começassem a saltar sobre ele,
que despertou e gritou: "Que susto! Agora sei o que é me assustar.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O Gênio da Garrafa-Conto dos Irmãos Grimm




O gênio da garrafa
 Por: Irmãos Grimm


Tradução:

Tatiana Belinky

Era uma vez um pobre lenhador que trabalhava desde a manhã até a noitefechada. Quando finalmente ele conseguiu juntar um pouco de dinheiro, disseao seu menino:
- Você é meu filho único e quero aplicar o meu dinheiro, que ganhei com osuor do meu rosto, na sua instrução. Se você aprender alguma coisa que preste,poderá me sustentar na minha velhice, quando os meus membros estiveremendurecidos e eu tiver de ficar sentado em casa.Então o menino foi para uma boa escola e estudou com afinco, de modoque seus mestres o elogiavam, e ficou algum tempo por ali. Ele terminou umpar de cursos, mas ainda não tinha se formado em tudo, quando aconteceu queo pouco dinheiro que o pai economizara se acabou e ele teve de voltar paracasa.- Aí, - disse o pai, tristonho - não posso dar-lhe mais nada e com estacarestia não consigo tampouco ganhar nem um vintém a mais que para o pão de cada dia.- Querido pai, - respondeu o filho - não se preocupe com isso! Se Deus quiser, tudo terá sido para melhor; eu vou me arranjar.Quando o pai ia sair para a floresta, para ganhar alguma coisa com a lenhapreparada, o filho disse
:- Eu quero ir com você e ajudá-lo.- Sim, meu filho - disse o pai. - Mas isto lhe será muito difícil; você não estáacostumado ao trabalho duro e não vai agüentar. Além disso eu não tenhomachado sobrando, e nem dinheiro para poder comprar um novo.
- Vá procurar o vizinho - respondeu o filho. - Ele lhe emprestará o seumachado até que eu possa ganhar o bastante para comprar um para mim.Então o pai tomou um machado emprestado do vizinho e no dia seguinte,de manhã cedinho, os dois saíram juntos para a floresta. O filho ajudou o pai,com esforço e animado, sem se cansar.E quando o sol estava a pique sobre eles, o pai falou
:- Vamos descansar e almoçar; depois o trabalho rende o dobro.O filho pegou o seu pedaço de pão e disse:


- Descanse, pai, Eu não estou fatigado; quero passear um pouco pela floresta e procurar ninhos de passarinho.- Ó rapazinho tolo! - disse o pai. -
- Para que quer ficar correndo de umlado para outro, só para ficar cansado e depois não poder erguer o braço?
- Fique aqui sentado ao meu lado!
Mas o filho se embrenhou na floresta, comeu o seu pão, muito contente, eespiou por entre os galhos a ver se encontrava algum ninho. Assim ele andou de um lado para outro, até que chegou a um grande carvalho, que devia ter muitos séculos de idade, e cujo tronco cinco homens não poderiam abraçar. Ele parou, olhou para a árvore e disse:
- Aqui muitos pássaros devem ter construído seus ninhos.Mas aí pareceu-lhe de repente ouvir uma voz. Prestou atenção e ouviugritar em tom bastante abafado: “Deixe-me sair! Deixe-me sair!”Olhou em volta e não conseguiu ver nada, mas pareceu-lhe que a voz saía de dentro da terra. Então gritou:
- Onde está você?A voz respondeu:- Estou encalhado aqui embaixo, junto das raízes. Deixe-me sair, deixe-mesair!O estudante começou a cavocar debaixo da árvore e a procurar entre asraízes, até que por fim encontrou, num pequeno desvão, uma garrafa de vidro.Levantou-a e segurou-a contra a luz, e então viu lá dentro uma coisa queparecia um sapo, pulando para cima e para baixo
.- Deixe-me sair, deixe-me sair! - ouviu de novo. E o garoto, que nãodesconfiava de nada de mau, tirou a rolha da garrafa. Imediatamente escapoudela um gênio, que começou a crescer, e cresceu tão depressa que em poucos instantes uma figura terrificante, do tamanho da metade da árvore
.- Sabe - urrou a aparição com voz aparovante - qual é o seu prêmio porter-me libertado?
- Não - respondeu o estudante, sem se assustar
.- Como posso saber disso?
- Então eu lhe direi - gritou o gênio.
 - A recompensa merecida, esta você vai ganhar - gritou o gênio.
 - Oupensa que foi por benevolência que me deixaram trancado dentro da garrafapor tanto tempo? Não, foi por castigo. Eu sou o poderoso Mercúrius; quem mesoltar terá o pescoço quebrado.

- Mais devagar! - respondeu o estudante.
- As coisas não vão assim tão depressinha! Primeiro eu preciso ter certeza de que você, com este tamanhotodo, estava de fato dentro dessa pequena garrafa, e de que você é o gênioverdadeiro; se você puder entrar e caber lá dentro de novo, então vou acreditar e poderá fazer comigo o que quiser.O gênio falou, cheio de arrogância:
- Isto não é problema! - e começou a se encolher e ficou tão fino e pequeno como estivera antes, de modo que se enfiou, pela mesma abertura no gargalo,para dentro da garrafa.Mas nem bem ele estava lá dentro, o estudante tampou depressa a garrafacom a mesma rolha, pôs a garrafa de volta no antigo lugar, e o gênio foilogrado.Agora o estudante queria voltar para junto do pai, mas o gênio gritou,muito lamentoso:
- Deixe-me sair! Ó, deixe-me sair!
- Não, - respondeu o estudante - você iria me enganar como da primeira vez.
- Você está pondo a perder a sua própria felicidade - disse o gênio.
- Eu não lhe farei mal, mas vou recompensá-lo ricamente.O estudante pensou: “Vou tentar; quem sabe ele mantém a palavra; eu não deixarei que ele me faça mal”.Então tirou a rolha, e o gênio saiu como da primeira vez, espreguiçou-se eficou do tamanho de um gigante.
- Agora você terá a sua recompensa - disse ele, entregando ao estudanteum pequeno pano, que parecia um emplastro, e continuou:
 - Se você esfrega rum ferimento com uma ponta dele, a ferida se fechará; e se esfregar ferro ou aço com a outra ponta, o metal se transformará em prata.
.- Preciso experimentar isso - disse o estudante.Pegou o seu machado, feriu a casca de uma árvore com ele, e esfregou o corte com uma ponta do emplastro; imediatamente o corte se fechou e a casca sarou.
- Muito bem, a coisa funciona - disse ele ao gênio.
 - Agora podemos nos separar.O gênio agradeceu-lhe pela sua libertação e o estudante agradeceu ao gênio pelo presente e voltou para junto do pai.
- Por onde você andou passeando? - perguntou o pai.
- Por que esqueceu o trabalho? Bem que eu disse logo que você não seria capaz de fazer coisa alguma.
- Não se zangue, pai; eu vou alcança-lo.


- Sim, alcançar, alcançar; - disse o pai, irritado - isto não é tão fácil.
- Pois preste atenção, pai: vou já derrubar esta árvore aqui tão bem que elavai tombar com um estrondo.Então ele pegou o seu machado, esfregou-o com o emplastro e desferiuuma possante machadada na árvore. Mas como o ferro tinha virado prata, a lâmina perdeu todo o corte.
- Ei, pai, veja que machado ruim você me deu. Ele entortou todo com oprimeiro golpe. O pai assustou-se e disse:
- Ai, o que foi que você fez! Agora terei de pagar pelo machado e não seicomo nem com quê. É esta a vantagem que me traz o seu trabalho..
.- Não se zangue, pai! - respondeu o filho. - Eu vou pagar pelo machado.
- Ó seu bobalhão, - exclamou o pai - com o que você vai pagá-lo, se não tem nada além do que lhe dou? Tolices de estudante, é só o que tem na cabeça,mas de cortar lenha você não entende nada.Dali a pouco, o estudante disse:
- Pai, agora que eu não posso trabalhar mais mesmo, é melhor que encerremos a jornada e vamos para casa.
- Qual o quê! - respondeu o pai.
- Você pensa que eu quero cruzar os braços no colo como você? Eu ainda preciso trabalhar, mas você pode sem andar para casa.
- Pai, é a primeira vez que eu estou aqui no meio da floresta, não sei acharo caminho de volta para casa sozinho, venha comigo!Como a sua cólera já se acalmara, o pai deixou-se persuadir e voltou com o filho para casa. Então lhe disse:
Vá e venda o machado estragado e veja o que pode conseguir por ele. Vou tratar de ganhar a diferença com o meu trabalho, para pagar ao vizinho.No dia seguinte, o filho pegou o machado e levou-o à cidade, a um ourives. Este fez a prova, colocou o machado na balança e disse:
- Ele vale quatrocentos talers; eu não tenho tanto dinheiro para pagar àvista.O estudante falou:
- Dê-me o quanto tiver em dinheiro; eu espero pelo restante, em confiança.O ourives pagou-lhe trezentos talers e ficou devendo cem. Com isso oestudante voltou para casa e disse:
- Pai, eu tenho dinheiro. Vá e pergunte o que o vizinho quer pelo seu machado.- Isto eu já sei - disse o pai. - Um taler e seis décimos.- Então dê-lhe dois talers e doze décimos, isto é, o dobro, e é suficiente.Está vendo, pai, eu tenho dinheiro de sobra!

E com isso ele entregou ao pai cem talers e disse:- Nunca mais vai lhe faltar nada, pai. Viva agora em conforto.
- Meu Deus! - disse o velho.
 - Como foi que lhe veio essa riqueza?
Então o filho contou-lhe como tudo acontecera, e como ele, confiante na sorte, fizera tão rico achado. Mas com o dinheiro que sobrou, o rapaz voltou para a escola superior e continuou a estudar. E, como podia curar todos os ferimentos com o seu emplastro, ele tornou-se o médico mais famoso do mundo inteiro.

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